Massificando a moda, com Kim Kardashian! – صحيفة الصوت

Quem é leitora do Fashionismo, sabe: Kim Kardashian sempre foi pauta aqui, desde 2010. E, em minha defesa, nunca foi tema apenas pra exaltar, mas muito pra refletir e traçar paralelos entre o fenômeno pop e o mundo de tendências, comportamento e até mesmo padrão corporal.

De uns anos pra cá, confesso, ando com preguiça. Sei lá, saturou, mas sigo acompanhando – talvez com um pouco menos de entusiasmo –  essa potência marketeira e máquina de fazer pauta.

Agora eu venho por meio desse post clamar pelo fim do que mal começou: a CALÇAPATO! Internacionalemente conhecida como PANTALEGGINS (calçapato® é nem mais legal, hein!?) e invenção da retumbante Balenciaga. No início do ano, Kim Kardashian foi alçada ao novo rosto da marca e oficializou o feat que já acontecia desde a era de Kanye West.

Com essa parceria, que envolve de garota propaganda a manequim desfilando hoje em seu show couture, Kim veste a camisa (talvez literalmente), mas também a calça. E o sapato. Tudo junto.

Há meses a gata tem sido vista com a calçapato e eventualmente até com uma versão MACACÃPATO. Por mim? Tudo bem. A única questão, e a que me traz nessa reflexão bloguística, é a seguinte: a massificação do item, não no aspecto de chegar às massas, mas na atuação massiva e reiterada constantemente, perdendo assim o caráter efervescente da moda.

Ela não usa uma ou duas vezes, ela não usa a mesma peça caracterizando repetir roupa e sinal de humildade rs, ela usa mil vezes, mil looks, mil ocasiões. Ela toma como propriedade e viraliza tal estética, que passa a ser dela. É um método.

Ah Thereza, Kim Kardashian sempre foi assim, tá falando nada de novo. Eu sei, eu sei, ela sempre foi de ERAS e posso citar aqui desde os primórdios dos vestidos bandage, passando pelo famigerado comprimento ingrato (que muito já critiquei, mas hoje compreendo seu legado estabelecido), até todos os movimentos orquestrados com seu então mentor, YE.

Corta pra 2022, hoje essa tal massificação, TOTALMENTE PLANEJADA, traz um efeito mais preocupante: a saturação. O que me leva a refletir sobre outro efeito, a velocidade das tendências. Os ciclos da moda. Períodos curtos e virais de tendência (uma febre x do verão, por exemplo) ou efeitos mais prolongados que chegam e somem com um tempo.

Já falei nessa série de post aqui sobre todo esse movimento e percurso de uma tendência, desde quando ela surge, os early adopters, os disseminadores, até chegar no público comum e saturar. Agora, em tempos de Tik Tok, onde tudo é acelerado, em temos de audio na velocidade créu 2.0, há um impacto comportamental e cultural nesse acesso cada vez mais efêmero à tendência e isso pode ser preocupante pro con$umidor comum e afoito.

Essa redundância da moda poderia até ser interessante se fosse interpretada no âmbito de justamente desacelerar o surgimento de novas tendências e menos roupa circulando, maaas, vindo de quem vem, é apenas mais um artifício de marketing da Kim e da Balenciaga (dois dos maiores marketeiros contemporâneos) pra fazer o barro acontecer.

A calça em si nem é feia, afinal, é uma calça legging e me lembra até os modelos disco pants da finada American Apparell, agora o acréscimo do scarpin acoplado poderia ser criativo, provocador, mas pra mim já saturou pq ela está simplesmente nos fazendo engolir essa estética em looks que não comunicam nada.

Não tem uma informação de moda, não são autêntico, irreverentes, subversivos, mas aqui faço um mea culpa: ao menos geram uma conversa. E o que é a moda sem esse eterno questionamento até a gente eventualmente morder a língua?!

Mas o meu grande questionamento é: SERÁ QUE ZARA OU SIMILAR FARÃO SUA ACESSÍVEL DA CALÇAPATO?? Usaria? Voltamos a qualquer momento com essa atualização.

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